Experiências de quase-morte não são produto da imaginação, mostra estudo

brain-278x225O cérebro permanece consciente após o coração parar de bater, de acordo com pesquisadores da Universidade de Michigan. Pode ainda funcionar de forma superior nos momentos imediatamente após a parada cardíaca do que quando o corpo está num estado normal.

A descoberta apóia a experiência compartilhada de quase 20 por cento das pessoas que sobreviveram a uma parada cardíaca. Estes sobreviventes relatam ter visões internas e um aumento significante da percepção, conhecido como experiências de quase-morte(EQM), mas a realidade científica da experiência tem sido muito debatida.

Em um estudo publicado segunda-feira na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências, a equipe explica que em um estudo de nove ratos, observaram uma atividade cerebral continuada mesmo depois que o coração parou de bater e fluxo de sangue cessou. Comparado com estados anestesiados e estados ordinários, a atividade e a coerência cerebral, de fato aumentaram imediatamente após a parada cardíaca. Mesmo a abrangência da amostra sendo pequena, os resultados foram observados em todos os nove ratos estudados.

Este estudo, realizado em animais, é o primeiro lidando com o que acontece com o estado neurofisiológico do cérebro morrendo“, disse, em um comunicado, a principal autora do estudo, Jimo Borjigin, Ph.D., professora associada de fisiologia molecular e integradora e professora associada de neurologia na University of Michigan Medical School.

Ele vai formar a base para os futuros estudos em humanos que investigam experiências mentais que ocorrem no cérebro quando está morrendo, incluindo ‘ver a luz’ durante uma parada cardíaca”, acrescentou.

eqmO termo experiência de quase-morte ou EQM refere-se a um conjunto de visões e sensações frequentemente associadas a situações de morte iminente, sendo as mais divulgadas a projeção astral, a “sensação de serenidade” e a “experiência do túnel”. Esses fenômenos são normalmente relatados após o indivíduo ter sido pronunciado clinicamente morto ou muito perto da morte, daí a denominação “EQM”. O termo “experiência de quase-morte”, em francês “expérience de mort imminente” foi proposto pelo psicólogo e epistemólogo francês Victor Egger em 1896 em “Le moi des mourants” como resultado das discussões no final século XIX entre filósofos e psicólogos, relativo as histórias de escaladores sobre a revisão panorâmica da vida durante quedas. O interesse popular pelas EQMs se iniciou devido principalmente ao trabalho do psiquiatra/parapsicólogo Raymond Moody em seu best seller Vida Depois da Vida, escrito em 1975 sob o nome de Near-death experiences (NDEs), repetindo a frase já proposta por Victor Egger.

As pessoas que viveram o fenômeno relatam, geralmente, uma série de experiências comuns, descritas nos estudos de Elizabeth Kubler-Ross (1967), tais como:

  • um sentimento de paz interior;
  • a sensação de flutuar acima do seu corpo físico;
  • a impressão de estar em um segundo corpo, distinto do corpo físico;
  • a percepção da presença de pessoas à sua volta;
  • a visão de seres espirituais;
  • visão de 360º;
  • sensação de que o tempo passa mais rápido ou mais devagar;
  • ampliação de vários sentidos;
  • a sensação de viajar através de um túnel intensamente iluminado no fundo (“experiência do túnel”).

Nesse espaço, a pessoa que vive a EQM percebe a presença do que a maioria descreve como um “ser de luz”, embora seu significado possa variar conforme os arquétipos culturais, a filosofia ou a religião pessoal. O portal entre essas duas dimensões é também descrito como a fronteira entre a vida e a morte. Por vezes, alguns pacientes que viveram essa experiência relatam que tiveram de decidir se queriam ou não regressar à vida física. Muitas vezes falam de um campo, uma porta, uma sebe ou um lago, como uma espécie de barreira que, se atravessada, implicaria não regressarem ao seu corpo físico.

Mudanças psicológicas e comportamentais

heavenApós a experiência de quase-morte, muitas pessoas declaram terem alterado seus pontos de vista em relação ao mundo e às outras pessoas, de forma semelhante aos relatos de experiências psicodélicas intensas. As mudanças comportamentais geralmente são significativamente positivas, e o principal fator para a mudança é a perda do medo da morte (tanatofobia). Em geral, a pessoa diz enxergar o mundo de maneira mais vívida, ser inundada por sentimentos de bondade e amor ao próximo, ter vontade de ajudar os necessitados, sentir abertura a uma forma de religiosidade não-dogmática e a crenças orientais como a reencarnação, aceitar-se mais e aceitar mais os outros, perder o sentido de importância do ego e se preocupar menos com as opiniões dos outros. Essas pessoas alegam que passaram a valorizar mais as suas vidas e as dos outros, reavaliaram os seus valores, a ética e as prioridades habituais e tornaram-se mais serenas e confiantes.

ADENDO: Relato impressionante da experiência de quase-morte sofrida pelo artista Mellen-Thomas Benedict.

Fonte: CBSNEWS / WIKI

 

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